Deslocamento ativo em adolescentes: prevalência e preditores associados ao trajeto casa-escola

Autores

  • Mabliny Thuany Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, Centro de Investigação, Formação, Intervenção e Inovação em Desporto, Porto, Portugal.
  • Fernanda Karina dos Santos Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Educação Física, Viçosa, Minas Gerais, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-9127-7694
  • Marcos Bezerra Almeida Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Educação Física, São Cristóvão, Sergipe, Brasil.
  • Thayse Natacha Queiroz Ferreira Gomes Universidade Federal de Sergipe, Departamento de Educação Física, São Cristóvão, Sergipe, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.12820/rbafs.26e0203

Palavras-chave:

Atividade física, Adolescência, Deslocamento ativo, Brasil

Resumo

O objetivo do presente estudo é descrever a prevalência de deslocamento ativo entre adolescentes brasileiros no trajeto casa-escola considerando as unidades federativas e regiões do país, e verificar os preditores associados a esse comportamento. A amostra foi composta por 99.967 adolescentes (ambos os sexos; média de idade 14,24 anos) que participaram da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar em 2015. Para o estudo, foram consideradas informações relativas ao deslocamento ativo no percurso casa-escola (frequência e duração), aspecto socioeconômico e percepção de segurança no trajeto para a escola, sendo obtidas através de questionário. A análise estatística foi realizada por meio da regressão logística binária. Foi observado que 44,4% dos jovens realizam o deslocamento ativo (ir e voltar da escola através do uso de bicicleta/caminhada, pelo menos cinco dias na semana), sendo que a região Sudeste apresenta a maior porcentagem de adolescentes que aderem à tal prática (46,4%). Ser do sexo masculino (OR = 1,19), mais “novo” (OR = 0,89) e despender mais tempo por semana em deslocamento ativo (OR = 1,01) aumentam as chances de o adolescente realizar o deslocamento ativo em seu trajeto para a escola; enquanto que possuir carro em casa (OR = 0,72) e perceber o trajeto para a escola como inseguro (OR = 0,66) reduzem as chances de adoção a tal comportamento. Os resultados reforçam a característica multifatorial do deslocamento ativo, e a necessidade de intervenções centradas no sujeito e no ambiente.

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Publicado

2021-07-09

Como Citar

1.
Thuany M, Santos FK dos, Almeida MB, Gomes TNQF. Deslocamento ativo em adolescentes: prevalência e preditores associados ao trajeto casa-escola. Rev. Bras. Ativ. Fís. Saúde [Internet]. 9º de julho de 2021 [citado 19º de janeiro de 2022];26:1-8. Disponível em: https://www.rbafs.org.br/RBAFS/article/view/14419

Edição

Seção

Artigos Originais